CAPE CANAVERAL, Florida (AP) - Os astronautas evacuados na semana passada da Estação Espacial Internacional dizem que um ecógrafo portátil foi "extremamente útil" durante a crise médica.
Na primeira aparição pública desde o regresso à Terra, os quatro astronautas recusaram-se, na quarta-feira, a revelar qual deles precisou de assistência médica e porquê. Foi a primeira evacuação médica da NASA em 65 anos de voos espaciais tripulados.
Ecógrafo portátil na emergência médica na Estação Espacial Internacional
Mike Fincke, da NASA, explicou que a tripulação recorreu ao ecógrafo a bordo assim que surgiu o problema de saúde, a 7 de janeiro, véspera de uma caminhada espacial que acabou por ser cancelada de forma abrupta.
Segundo Fincke, o equipamento já vinha a ser muito utilizado em verificações de rotina, para acompanhar as alterações do corpo enquanto viviam em ausência de gravidade; por isso, "quando tivemos esta emergência, o ecógrafo foi extremamente útil".
A utilidade foi tal que, de acordo com Fincke, deveria existir um aparelho destes em todas as futuras missões. "Ajudou mesmo", afirmou.
"Claro que não tínhamos outras grandes máquinas que temos aqui no planeta Terra", acrescentou. "Tentamos garantir que toda a gente, antes de voar, está mesmo, mesmo pouco sujeita a surpresas. Mas às vezes as coisas acontecem e as surpresas acontecem, e a equipa estava pronta … a preparação foi super importante."
Cancelamento da caminhada espacial e regresso antecipado com a SpaceX
A Estação Espacial está preparada, tanto quanto possível, para emergências médicas, disse Zena Cardman, da NASA, que comandou o voo de regresso antecipado com a SpaceX.
Cardman afirmou que a NASA "tomou todas as decisões certas" ao cancelar a caminhada espacial - que teria sido a sua primeira - e ao colocar o bem-estar da tripulação em primeiro lugar.
Treino pré-voo e lições para os próximos voos tripulados
O astronauta japonês Kimiya Yui contou ter ficado surpreendido com a forma como todo o treino pré-voo se revelou eficaz para lidar com as preocupações de saúde.
"Conseguimos lidar com qualquer tipo de situação difícil", disse Yui. "Isto é, na verdade, uma experiência muito, muito boa para o futuro dos voos espaciais tripulados."
A acompanhar a equipa numa missão que acabou por durar 5 1/2 meses - mais de um mês mais curta do que o previsto - esteve o russo Oleg Platonov. O lançamento ocorreu em agosto, a partir da Florida, e a amaragem deu-se na semana passada, no Pacífico, ao largo da costa de San Diego.
Em Houston, quem os recebeu foram os substitutos, que só têm lançamento previsto para meados de fevereiro. A NASA e a SpaceX estão a trabalhar para antecipar o voo.
"Esperávamos poder abraçá-los no espaço, mas acabámos por abraçá-los na Terra", disse Fincke.
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