Um maquilhador com muita experiência veio pôr esta rotina em causa de forma radical. A recomendação dele é clara: há zonas do rosto que devem receber apenas um véu - e, em alguns casos, quase nada - de foundation. Quem segue esta lógica tende a manter um ar fresco durante mais tempo, a brilhar menos e a gastar muito menos produto.
Porque é que as rotinas clássicas de foundation muitas vezes falham
Para muita gente, a foundation é o “salva-vidas”: duas ou três pressões de bomba aplicadas no rosto inteiro e, de repente, tudo parece mais uniforme - as vermelhidões disfarçam-se e o cansaço fica menos evidente. Só que, passadas algumas horas, o espelho costuma mostrar o outro lado da moeda:
- a testa fica muito brilhante
- a maquilhagem acumula-se nas linhas finas
- os poros do nariz e do queixo parecem mais visíveis
- a pele ganha um aspecto empastado ou oleoso
É aqui que entra o conselho do maquilhador: o problema, na maioria das vezes, não é a foundation em si, mas sim onde a colocas e quanto produto aplicas. O erro mais comum é espalhá-la como se fosse uma máscara - a mesma quantidade e a mesma espessura em todo o lado - quando, na realidade, a pele comporta-se de forma muito diferente conforme a zona.
"Quando adaptas a maquilhagem às necessidades de cada zona do rosto, quase sempre ficas com um ar mais fresco do que com uma camada grossa, perfeitamente coberta."
A zona que quase sempre recebe produto a mais
O ponto crítico é a chamada zona T, que inclui sobretudo a testa, o nariz e, muitas vezes, o queixo. Em muitas pessoas, estas áreas produzem mais sebo - algo especialmente frequente em peles mistas e oleosas.
Quando há mais oleosidade, tendem a acontecer várias coisas:
- a foundation desliza com mais facilidade
- acumula-se nos poros e nas linhas finas
- o brilho aparece mais depressa
- a textura da pele fica mais evidente
Se aplicares no nariz e na testa a mesma quantidade que colocas nas bochechas, essas zonas ficam praticamente “sobrecarregadas” logo de início. Ao longo do dia, isso quase obriga a um ciclo de retoques: mais pó, mais papel absorvente, mais produto - e o resultado acaba por ficar cada vez mais pesado e com efeito de máscara.
As duas zonas que precisam de menos foundation
O maquilhador aponta dois locais onde vale a pena reduzir claramente a quantidade:
- Testa
- Nariz (incluindo as abas do nariz)
Em muitas rotinas, a aplicação começa no centro da testa ou directamente no nariz. O profissional faz precisamente o inverso: estas áreas devem ser o acabamento, não o ponto de partida.
"A testa e o nariz, com uma camada quase invisível, muitas vezes parecem mais lisos do que com uma base perfeitamente cobrente, mas pesada."
Como aplicar foundation sem sobrecarregar testa e nariz
A técnica é simples, mas muda por completo o resultado. Funciona com pincel, esponja ou dedos.
Guia passo a passo
- 1. Começa nas bochechas: Aplica primeiro nas bochechas, na zona ao lado do nariz e esbate ligeiramente na direcção do maxilar. É aqui que a maioria das pessoas precisa de mais correcção, por exemplo em vermelhidões ou pequenas marcas.
- 2. Queixo e transição para o pescoço: Passa uma pequena quantidade pelo queixo e difunde suavemente em direcção ao pescoço, para não ficar uma linha marcada.
- 3. Usa apenas o que sobrou: Aqui está o ponto-chave: com o resto de produto que ficou no pincel ou na esponja, passa muito levemente sobre o nariz e a testa. Sem nova pressão de bomba e sem “reforçar” estas zonas.
- 4. Corrige só onde for preciso: Se na testa ou no nariz houver vermelhidões evidentes, borbulhas ou manchas, usa um pequeno toque de corrector ou concealer apenas de forma localizada - em vez de tentar cobrir a área inteira.
Desta forma, bochechas e queixo ficam com uma base uniforme, enquanto testa e nariz recebem apenas um véu. A textura da pele parece mais calma, sem o efeito de “reboco”.
O que fazer quando há borbulhas e vermelhidão na testa ou no nariz?
Muita gente pensa: "Se quase não usar foundation aí, vai notar-se tudo." A recomendação do maquilhador é trocar a lógica: manter as áreas grandes leves e tratar apenas as imperfeições.
Uma mini-rotina útil é esta:
- dar pequenos toques na borbulha ou vermelhidão com um pincel muito fino ou com a ponta do dedo
- deixar o produto assentar por momentos
- pressionar e esbater as margens com cuidado, para fundir com a foundation à volta
- se quiseres, fixar pontualmente com um pouco de pó translúcido
Assim, a testa mantém-se leve e com mobilidade, em vez de “rachar” sob uma camada grossa quando ris, levantas as sobrancelhas ou franzes a testa.
Como adaptar o método ao teu tipo de pele
Para pele oleosa e pele mista
Quem ganha brilho com facilidade costuma beneficiar ainda mais ao reduzir produto na testa e no nariz. Para complementar, ajuda:
- Acabamento mate só onde é necessário: aplica uma camada fina de pó matificante, apenas na zona T, com um pincel pequeno, em toques.
- Papel absorvente em vez de acumular camadas: ao longo do dia, remove o excesso de oleosidade com um lenço de papel ou folhas absorventes; só depois, e com muita moderação, retoca com pó.
- Escolher texturas mais leves: foundations fluidas ou tintas com cor tendem a parecer mais naturais na zona T do que fórmulas extremamente cobrentes.
Para pele seca ou pele madura
Em pele seca ou com muitas linhas finas, o excesso de produto denuncia-se rapidamente. Na testa, sobretudo, a foundation pode realçar vincos que antes mal se notavam.
A abordagem do profissional:
- hidratar bem antes da maquilhagem, mas dar cinco a dez minutos para o cuidado ser absorvido
- colocar a foundation mais no centro do rosto (bochechas e à volta do nariz) e apenas esbater para a testa e linha do cabelo
- não “pintar” as rugas - é aí que o produto se instala com mais facilidade
"Menos foundation em zonas secas ou mais maduras faz o rosto parecer mais vivo - as linhas finas passam para segundo plano, em vez de ficarem em destaque."
Porque é que a aplicação direcionada pode fazer-te parecer mais jovem
O efeito no conjunto do rosto é interessante: quando não tapas por completo a testa e o nariz, muitas vezes ficas com um ar mais jovem e descontraído. A pele ainda transparece um pouco, o que dá vida ao rosto e evita o aspecto “murada” de maquilhagem.
Há ainda outra vantagem: bronzer e blush destacam-se melhor. Em vez de ficarem por cima de uma camada grossa e escorregadia, parecem fundir-se com a pele. E, na testa, muitas vezes basta um toque de bronzer junto às extremidades para aquecer o rosto, sem ser preciso encher tudo de pó.
Complementos práticos para um Teint duradouro e natural
Quem quiser testar a regra das duas zonas pode estabilizar o resultado com alguns passos simples:
- Primer só onde faz falta: usa um primer alisador nas abas do nariz ou no centro da testa, e não no rosto inteiro.
- Spray fixador em vez de mais camadas: uma borrifada no fim ajuda a fixar sem acrescentar textura.
- Desmaquilhagem consistente: limpa com suavidade para evitar que restos de produto se acumulem nos poros e nas linhas finas.
Se costumas usar foundations muito cobrentes, podes experimentar trocar por uma opção mais leve e compensar apenas com concealer onde for mesmo necessário. Muitas vezes, o resultado parece mais actual, sobretudo à luz do dia.
Vários influenciadores e maquilhadores têm mostrado versões desta técnica nas redes sociais. O ponto comum é sempre o mesmo: nem todas as zonas do rosto precisam da mesma quantidade de maquilhagem. Quando questionas o hábito de carregar na testa e no nariz, é frequente conseguires exactamente aquilo que a maioria procura - um teint mais calmo e uniforme, mas ainda com aspecto de pele.
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