Por trás da comichão pode estar um sinal de alarme importante do organismo.
Muita gente associa automaticamente a comichão no couro cabeludo a “pele seca” ou às supostas caspas. No entanto, quando o incómodo não desaparece - ou até se agrava - trocar de champô raramente resolve. Nessa altura, pode não ser apenas a pele a reagir, mas sim o corpo como um todo.
Quando a comichão é mais do que um problema de pele
A zona coberta pelo cabelo é uma área cutânea altamente sensível: tem uma irrigação sanguínea intensa, está repleta de terminações nervosas e, por isso, reage com facilidade. Doenças dermatológicas frequentes, como a dermatite seborreica ou a psoríase, estão entre as causas mais comuns de comichão. Ainda assim, sobretudo quando cremes, soluções e champôs específicos quase não surtem efeito, faz sentido olhar para além do que se vê à superfície.
“A comichão persistente no couro cabeludo pode ser um indício de alterações hormonais, problemas metabólicos ou mudanças ao nível dos nervos - e não apenas de uma rotina de cuidados capilares inadequada.”
Médicas e médicos encontram repetidamente situações em que a cabeça coça, mas a origem do problema está na tiróide, no metabolismo do açúcar ou no sistema nervoso. Quem passa meses a experimentar soluções por conta própria não só se desgasta, como também perde tempo precioso que podia ser usado num tratamento dirigido.
O papel da tiróide, do metabolismo e dos nutrientes
Como a tiróide pode secar o couro cabeludo
A tiróide regula o gasto energético do corpo. Quando o seu funcionamento se desequilibra, isso costuma reflectir-se também na pele - incluindo no couro cabeludo.
- Hipotiroidismo (subfunção): o metabolismo abranda, a renovação celular torna-se mais lenta e a pele fica claramente mais seca. Os profissionais de saúde referem-se a esta secura marcada como xerose, que pode provocar comichão extensa e persistente - inclusive junto à linha do cabelo.
- Hipertiroidismo (sobrefunção): o organismo mantém-se em permanente “aceleração” e a regulação da temperatura descompensa. Muitas pessoas afectadas descrevem comichão generalizada, que também se pode manifestar no couro cabeludo.
Em qualquer dos cenários, mudar de champô dificilmente traz alívio, porque a causa está mais fundo: no equilíbrio hormonal.
Insulina, androgénios e o círculo vicioso entre oleosidade e comichão
Outro elemento frequentemente subestimado é a resistência à insulina. Nessa condição, o corpo responde pior à insulina e, como reacção, o pâncreas coloca ainda mais insulina em circulação. Isto desencadeia várias consequências:
- níveis aumentados de IGF-1, um factor de crescimento semelhante à insulina
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