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Novas regras europeias tornam os ATM em França mais acessíveis e reformulam a rede Cash Services

Mulher em cadeira de rodas utiliza caixa multibanco na rua com dois homens idosos a observar.

Durante anos, os ATM foram alvo de críticas por deixarem de fora uma parte significativa da população. Com novas regras europeias já aplicadas em França, os bancos são agora pressionados a tornar estas máquinas mais simples de utilizar por pessoas com deficiência - ao mesmo tempo que redesenham toda a sua rede de numerário.

Uma nova regra obrigatória para os caixas automáticos em França

Desde 28 de junho de 2025, entrou em vigor uma nova regulamentação europeia que obriga os bancos franceses a adaptarem os seus dispensadores de dinheiro. O princípio é claro: cada ATM novo ou renovado tem de ser concebido para que pessoas com deficiência visual ou outras limitações consigam utilizá-lo sem ajuda.

"A partir de agora, os ATM em França têm de disponibilizar orientação áudio, suporte para auscultadores, contraste ajustável e texto maior no ecrã."

Estas funcionalidades deixam de ser meros extras “convenientes”. Passam a ser requisitos obrigatórios em todas as máquinas novas. O objetivo é aproximar o acesso ao dinheiro dos padrões de acessibilidade já comuns em muitos serviços públicos e sistemas de transporte.

O que muda para os clientes no ATM

A norma foca-se sobretudo na acessibilidade, mas acaba também por mexer com os hábitos diários de quem recorre a caixas automáticos. A diferença torna-se mais evidente para pessoas com visão reduzida, mobilidade limitada ou dificuldades cognitivas.

Funcionalidades concretas de acessibilidade agora exigidas

Ao abrigo da nova regra, os ATM têm de disponibilizar, pelo menos, as seguintes ferramentas:

  • Instruções por voz que conduzem o utilizador em cada etapa da operação
  • Uma entrada para auscultadores para ouvir o menu falado de forma privada
  • Modos de ecrã com alto contraste para melhorar a leitura
  • Opções para aumentar o tamanho do texto no ecrã

Na prática, um cliente com deficiência visual pode chegar ao equipamento, ligar os seus próprios auscultadores, ativar o modo áudio e seguir todo o processo pelo som, em vez de depender da leitura do ecrã. Já quem tem problemas visuais ligeiros - por exemplo, perda de visão associada à idade - pode optar por contraste superior ou letra maior, evitando o esforço de decifrar caracteres pequenos.

Para utilizadores mais velhos que se sintam pouco à vontade com ecrãs táteis, a combinação de instruções faladas e elementos visuais mais claros pode reduzir o receio de errar, como levantar um montante diferente do pretendido ou deixar o cartão preso no leitor.

A maioria dos ATM modernos já cumpre

A Federação Bancária Francesa, que representa os principais bancos do país, sublinha que uma parte considerável da rede de ATM já está alinhada com o padrão europeu. Os equipamentos mais recentes costumam incluir o hardware necessário: portas de áudio, ecrãs configuráveis e opções de software orientadas para a acessibilidade.

Onde surgem dificuldades é nos terminais mais antigos - sobretudo em zonas rurais ou em pequenas agências - instalados há muitos anos e nunca modernizados. Estes equipamentos podem não suportar saída áudio ou não ter capacidade de processamento para executar software de acessibilidade mais atual.

"Os ATM antigos podem completar o seu ciclo de vida, mas todas as substituições, a partir de agora, têm de respeitar as novas regras de acessibilidade."

Esta abordagem evita obrigar os bancos a retirar milhares de máquinas de uma só vez, mas implica uma transição gradual: a rede só ficará totalmente conforme ao longo de vários anos, à medida que os equipamentos forem sendo substituídos nos ciclos normais de renovação.

Ao mesmo tempo, muitos ATM estão a desaparecer

Enquanto a acessibilidade avança, o número total de caixas automáticos em França está a diminuir. Os pagamentos por cartão e as aplicações móveis continuam a ganhar terreno e, segundo dados do setor citados na imprensa francesa, o numerário representa atualmente cerca de 43% das transações no país.

Uma grande reestruturação da rede de ATM

Perante a mudança de hábitos, vários grandes bancos franceses estão a juntar esforços e infraestruturas. BNP Paribas, Société Générale, Crédit Mutuel e CIC criaram uma rede partilhada designada “Cash Services”.

Esta nova rede persegue vários objetivos:

  • Reduzir custos operacionais, partilhando máquinas em vez de manter redes paralelas
  • Assegurar um nível mínimo de acesso a numerário em cidades e aldeias
  • Introduzir equipamentos mais completos e versáteis

De acordo com planos divulgados pelo setor, deverão ser instalados cerca de 7,000 terminais de nova geração até 2026, enquanto aproximadamente 3,000 ATM antigos deverão ser retirados. Em algumas zonas haverá menos máquinas no total, mas as que permanecerem serão mais avançadas e, cada vez mais, mais acessíveis.

Novas máquinas que fazem mais do que levantar dinheiro

Os terminais Cash Services não são apenas ATM “básicos”. Foram pensados como quiosques bancários multifunções. Para além de levantamentos, os clientes poderão normalmente:

  • Depositar numerário diretamente na conta
  • Depositar cheques sem ter de ir ao balcão de uma agência
  • Consultar saldos e movimentos recentes

O sistema reconhece o cartão do cliente e aplica a mesma política de preços como se a pessoa estivesse a usar a rede do seu próprio banco. Isso significa que, para clientes dos bancos participantes, não há comissões adicionais típicas de “fora da rede” nestas máquinas partilhadas.

"Os ATM partilhados servem para reduzir custos para os bancos sem penalizar os clientes, mantendo o numerário ao alcance da maioria das comunidades."

O que isto significa para quem vive em zonas rurais

A transformação da rede de ATM levanta preocupações específicas nas regiões mais remotas, onde o fecho de uma única agência pode deixar uma localidade sem qualquer atendimento bancário presencial. As novas regras e os novos equipamentos procuram evitar um abandono total dos serviços de numerário.

Os bancos tencionam propor soluções direcionadas às autarquias. Municípios sem agências tradicionais poderão instalar uma máquina Cash Services num edifício público ou num espaço comercial partilhado. Assim, os residentes ficam com pelo menos um ponto próximo para operações essenciais: levantamentos, depósitos e, nalguns casos, até contacto com um assistente remoto por vídeo ou telefone.

Tipo de zona Alteração provável Impacto nos residentes
Grandes cidades Menos ATM isolados, mais terminais modernos partilhados Percursos a pé mais curtos e mais funções por máquina
Cidades médias Encerramento de algumas agências, substituição por ATM partilhados Menos contacto presencial, mas numerário e depósitos continuam próximos
Aldeias rurais Risco de perda de agências tradicionais, chegada de máquinas comunitárias Acesso básico preservado, mas menos opções e, em alguns casos, deslocações mais longas

Como as regras afetam diferentes utilizadores

Para uma pessoa com deficiência, esta mudança regulatória pode alterar de forma concreta a gestão do dia a dia. Alguém com perda severa de visão, que antes precisava de pedir ajuda a um familiar no ATM, pode ganhar privacidade e autonomia. Passa a conseguir tratar do seu dinheiro sem expor o PIN nem os seus hábitos de levantamento.

Para os bancos, o investimento não é apenas cumprimento legal. Ajuda também a reduzir riscos de acusações de discriminação e danos reputacionais. Além disso, um terminal mais fácil para alguém com deficiência tende a ser mais cómodo para todos: ecrãs mais legíveis, menus mais simples e layouts consistentes diminuem erros e podem encurtar filas.

Termos-chave por trás das novas regras

Duas ideias aparecem frequentemente nas discussões sobre estas alterações:

  • Acessibilidade: refere-se à possibilidade de um produto ou serviço ser utilizado por pessoas com um vasto leque de capacidades e limitações. Aqui, inclui visão, mobilidade, audição e, por vezes, questões cognitivas.
  • Design universal: o princípio de que uma ferramenta deve ser desenhada de raiz para servir o maior número possível de pessoas, em vez de ser adaptada mais tarde. Os novos ATM aproximam-se deste conceito ao integrarem opções de áudio, visuais e físicas no mesmo equipamento.

Cenários que os clientes provavelmente irão encontrar

Imagine uma pequena cidade onde duas agências bancárias fecham ao longo dos próximos três anos. Em vez de quatro ATM separados, cada um de um banco diferente, os residentes podem passar a ter uma única máquina partilhada instalada em frente à câmara municipal. O equipamento permite levantamentos para os principais bancos e possibilita o depósito de cheques para várias redes. Pessoas com visão limitada usam auscultadores para seguir os passos falados; residentes mais idosos ativam o modo de alto contraste.

Numa grande cidade, a vivência poderá ser outra. Uma rua comercial movimentada pode perder algumas máquinas individuais, mas lojas, estações de metro ou centros comerciais poderão receber novos terminais partilhados com interfaces modernas. Deixa de ser tão relevante procurar o ATM “do seu banco”, uma vez que as comissões ficam harmonizadas dentro da rede partilhada.

Riscos, benefícios e conselhos práticos para utilizadores

Há ganhos evidentes com estas mudanças: acessibilidade reforçada, serviços mais coerentes entre bancos e manutenção do acesso a numerário em zonas que poderiam perdê-lo por completo. Ainda assim, subsistem riscos. Menos máquinas no total pode traduzir-se em filas maiores nas horas de ponta e, em áreas rurais, poderá continuar a ser necessário percorrer vários quilómetros se o ponto de levantamento mais próximo encerrar antes de existir um substituto.

Para quem vive em França e depende do numerário, alguns hábitos podem ajudar. Esteja atento aos avisos do seu banco sobre alterações de ATM na sua zona. Experimente as funcionalidades de acessibilidade da próxima vez que usar uma máquina recente, mesmo que não precise delas - perceber como funcionam pode ser útil se um dia tiver de ajudar um familiar ou vizinho. E, se a sua localidade estiver em risco de perder o último ATM, as autarquias passam a ter argumentos adicionais para negociar com os bancos a instalação de um terminal partilhado que cumpra as novas regras de acessibilidade.


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