A consistência é um ingrediente essencial para criar hábitos saudáveis - e as escolhas que fazemos todos os dias à mesa podem não ser excepção.
Investigadores da Universidade de Drexel, nos Estados Unidos, reuniram agora indícios de que repetir as mesmas refeições e os mesmos lanches, dia após dia, pode traduzir-se numa perda de peso mais bem-sucedida ao longo de vários meses.
Embora a variedade alimentar seja, sem dúvida, importante para a saúde humana, estes resultados sugerem que, para quem pretende emagrecer, comer “em repetição” pode ter vantagens.
Desde que as refeições e os lanches de eleição sejam equilibrados, este tipo de rotina poderá apoiar a perda de peso mais do que uma alimentação flexível e muito variada.
Estudo da Universidade de Drexel: rotinas de refeições e lanches e perda de peso
"Manter uma alimentação saudável no ambiente alimentar actual exige um esforço constante e autocontrolo", afirma a autora principal, a psicóloga da saúde Charlotte Hagerman, da Universidade de Drexel.
"Criar rotinas em torno da alimentação pode reduzir esse fardo e fazer com que as escolhas saudáveis pareçam mais automáticas."
Para este estudo, Hagerman e os colegas avaliaram registos alimentares auto-reportados de 112 adultos com excesso de peso ou obesidade, inscritos num programa estruturado de perda de peso baseado em mudanças comportamentais.
O que os dados mostraram nas primeiras 12 semanas
Nas primeiras 12 semanas do programa, os participantes que repetiam com mais frequência as mesmas refeições e lanches - bem como aqueles cujo consumo calórico era mais consistente de dia para dia - tendiam a perder mais peso corporal do que os que optavam por alimentos diferentes com maior frequência, ou cujas calorias variavam mais.
Em concreto, quem manteve uma alimentação de emagrecimento mais rotineira perdeu, em média, 5.9 percent do peso corporal, enquanto os participantes com uma alimentação mais variada perderam 4.3 percent.
A diferença global é pequena, mas pode ser relevante - sobretudo se, a longo prazo, essa perda de peso se mantiver.
Os autores estimam que, por cada diferença de 100 calorias no padrão alimentar diário de um participante, a perda de peso diminuiu 0.6 percent ao longo do período de 12 semanas.
Este trabalho é de pequena dimensão e, por si só, não chega para contrariar a evidência de que uma alimentação diversificada traz benefícios para a saúde da maioria das pessoas. Além disso, é importante falar com um médico antes de fazer alterações importantes à alimentação.
Ainda assim, trata-se de um dos primeiros estudos a recorrer a dados de registo alimentar em tempo real para perceber de que forma uma alimentação mais rotineira pode ajudar a perder peso ao longo de vários meses.
Os resultados também apontam para um possível obstáculo: a variedade constante de alimentos que nos rodeia, todos os dias, pode estar a dificultar alguns regimes de perda de peso.
"Se vivêssemos num ambiente alimentar mais saudável, talvez encorajássemos as pessoas a ter o máximo de variedade possível na alimentação", explica Hagerman.
"No entanto, o nosso ambiente alimentar moderno é demasiado problemático. Em vez disso, as pessoas podem dar-se melhor com uma alimentação mais repetitiva, que as ajude a fazer escolhas mais saudáveis de forma consistente, mesmo que possam sacrificar alguma variedade nutricional."
Limitações do trabalho e o que poderá vir a seguir
O estudo não avaliou a qualidade nutricional das dietas que os participantes estavam a consumir. Isto significa que alguns poderão ter emagrecido comendo de forma pouco saudável.
Apesar disso, os participantes estavam integrados num programa de tratamento comportamental para perda de peso, no qual trabalhavam com orientadores para definir o total diário de calorias e metas semanais de emagrecimento.
Havia duas formas de encarar os objectivos: manter um consumo calórico diário constante ou, em alternativa, dar prioridade a uma média semanal, "guardando" algumas calorias para ocasiões especiais.
Mesmo entre os participantes que registaram as escolhas alimentares em mais dias - um comportamento que prediz fortemente a perda de peso -, a perda foi maior quando a alimentação era mais rotineira.
Os investigadores não conseguem afirmar com certeza que a perda de peso tenha sido efectivamente causada por uma dieta mais repetitiva, mas a associação observada leva-os a querer aprofundar o tema.
"Mesmo uma alimentação saudável, rica em variedade, pode aumentar os momentos de tomada de decisão, tornando mais trabalhoso calcular calorias, em comparação com ter refeições de referência com calorias já pré-calculadas", avançam os autores.
Isto soa a um ensaio clínico aleatorizado prestes a acontecer.
O estudo foi publicado na revista Psicologia da Saúde.
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