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Estudo do Karolinska-Institut: pico de fitness, força e resistência aos 35 anos

Dois corredores a treinar numa pista ao ar livre, com um médico a observar e anotar dados numa tabela.

Quando é que se ultrapassa o ponto em que velocidade, força e resistência chegam ao máximo e começam, devagar, a cair? Um grande estudo de seguimento na Suécia acompanhou isso ao longo de décadas - e aponta para uma resposta bastante nítida. O número por trás do resultado surpreende muita gente e, ao mesmo tempo, mostra quanto ainda é possível influenciar com movimento.

A meio da vida: quando o corpo atinge a melhor forma

Uma equipa de investigação do Karolinska-Institut, na Suécia, reuniu uma base de dados rara. Mais de 400 mulheres e homens escolhidos aleatoriamente, todos nascidos em 1958, fizeram avaliações regulares da aptidão física e da força muscular - dos 16 aos 63 anos.

O que os dados revelam é um padrão claro: na juventude, a curva sobe. A condição física e a força aumentam de forma contínua e a capacidade de desempenho melhora. A certa altura, atinge-se um topo e, depois disso, a linha começa a descer, lentamente.

"Em média, o corpo humano atinge a sua melhor aptidão física e o melhor desempenho de força por volta dos 35 anos - e a partir daí inicia-se um declínio gradual."

Principais observações identificadas no estudo:

  • A capacidade máxima surgiu, em média, por volta dos 35 anos.
  • Tanto a resistência como a força muscular diminuíram a partir daí, passo a passo.
  • Com o avançar da idade, a descida tornou-se mais rápida.
  • A tendência foi semelhante em mulheres e homens: as curvas eram muito parecidas.

Um detalhe interessante: este traçado apareceu independentemente do volume de treino dos participantes. Mesmo quem era fisicamente activo não conseguiu eliminar por completo a tendência biológica - mas conseguiu alterá-la de forma mensurável.

Como o desempenho físico muda com a idade

O trabalho deixa claro que a perda começa surpreendentemente cedo. Muita gente assume que só depois dos 40 ou 50 é que o corpo “começa a falhar”. As medições contam outra história.

O pico surge nos 30 e poucos anos. Pouco tempo depois, inicia-se uma descida gradual. No início, quase não se nota: a pessoa continua em boa forma, corre, levanta peso e pratica desporto. Mas as reservas vão encolhendo - como uma bateria de telemóvel que, ao longo dos anos, passa a ter menos capacidade.

Idade Tendência típica da capacidade de desempenho
16–25 anos Aumento acentuado de força e resistência
25–35 anos Desempenho elevado e estável - crescimento adicional mais lento
35 anos Pico médio de aptidão física e força
35–50 anos Declínio lento, pouco perceptível, sobretudo com inactividade
50–63 anos Perda acelerada, limitações no dia a dia tornam-se mais frequentes

Os investigadores sublinham que, numa fase inicial, a queda é relativamente pequena. Mais tarde, porém, a velocidade desse declínio aumenta. Quem, nessa altura, passa a maior parte do tempo sentado tende a deslizar muito mais depressa para queixas físicas, limitações nas actividades diárias e, no extremo, necessidade de cuidados.

Porque a inactividade penaliza o corpo de forma particular

Um ponto central da análise: um estilo de vida muito sedentário está associado a uma perda mais rápida de funcionalidade. Existem várias explicações para isso.

  • Músculos: sem carga, vão perdendo massa; as fibras tornam-se mais finas e a força desce.
  • Coração e circulação: habituam-se a esforços baixos, e o coração bombeia com menor eficiência.
  • Articulações: ficam mais rígidas com facilidade e a mobilidade reduz-se.
  • Metabolismo: desregula-se, aumentando o risco de diabetes e de doenças cardiovasculares.

O estudo sugere que uma quebra precoce do desempenho pode, mais tarde, traduzir-se em problemas clinicamente relevantes - por exemplo, dificuldades em subir escadas, levantar-se ou transportar cargas. E este caminho começa muito antes de um médico falar em “fragilidade”.

Quanto vale, de facto, fazer desporto - e quando é que se deve começar?

A mensagem mais encorajadora vinda da Suécia é simples: mexer-se compensa em qualquer fase. Mesmo pessoas que só no período adulto - dito de forma mais crua, “tarde” - começaram a ser regulares, ganharam em média 5 a 10% de capacidade de desempenho.

"Quem se mexe mais na idade adulta consegue abrandar de forma clara o declínio do desempenho físico - e, em parte, recuperar terreno."

A equipa mostrou que a actividade regular desloca a curva para cima. O envelhecimento natural mantém-se - mas a um nível superior. Na prática, isto significa que subir escadas aos 60 pode saber ao que seria aos 50 sem treino.

Que tipo de movimento ajuda mais?

Para um corpo mais estável com o passar dos anos, contam sobretudo três frentes:

  • Resistência - por exemplo, caminhar a bom ritmo, correr, pedalar, nadar.
  • Força - treino com o peso do corpo, halteres ou máquinas.
  • Flexibilidade e equilíbrio - alongamentos, ioga, treino suave para o core e para a estabilidade.

Quem consegue, semanalmente, pelo menos 150 minutos de actividade moderada - por exemplo, 5 dias de 30 minutos de caminhada rápida - está dentro das recomendações comuns de muitas sociedades científicas. Duas sessões adicionais de treino de força por semana são consideradas ideais para travar a perda muscular associada à idade.

Porque é que o pico acontece precisamente por volta dos 35

O passo seguinte dos investigadores é perceber por que motivo o ponto mais alto da capacidade física aparece a meio dos 30 e não, por exemplo, a meio dos 20 ou só aos 40. Há vários factores possíveis:

  • A musculatura continua a maturar até ao terceiro decénio e depois estabiliza.
  • O sistema cardiovascular chega a um estado mais “maduro” e eficiente.
  • O equilíbrio hormonal ainda favorece fortemente o desempenho e a recuperação.

Com a idade, hormonas como a testosterona e as hormonas do crescimento alteram-se, os processos de reparação tornam-se mais lentos e as células acumulam danos. A capacidade de desempenho baixa - e, embora uma parte seja difícil de travar, outra parte pode ser influenciada de forma relevante.

O que estes resultados significam para o teu dia a dia

Quem já passou dos 35 não tem de encarar estes números como um choque. O momento de “melhor forma” é uma média, não uma data de validade. Há quem atinja o pico mais cedo e quem o atinja mais tarde. Mais importante é o trajecto a partir daí.

Três conclusões práticas para o quotidiano:

  • Começar cedo compensa. Ser activo em jovem cria uma margem de segurança que ajuda mais tarde.
  • Começar tarde continua a valer a pena. Mesmo aos 40, 50 ou 60, a actividade regular melhora o desempenho de forma mensurável.
  • A consistência vence o desporto extremo. Várias sessões semanais moderadas têm mais impacto a longo prazo do que picos curtos com pausas longas.

Muitas vezes, movimentos do dia a dia já chegam para sair do “sentar constante”: sair uma paragem mais cedo, optar pelas escadas, fazer percursos curtos a pé, ir às compras de bicicleta. E, a partir daí, acrescentar treino de força e resistência de forma estruturada funciona como uma espécie de “poupança” para a idade.

Riscos, oportunidades e um olhar para o futuro

O estudo sueco de longa duração deverá continuar. As mesmas pessoas voltarão a ser avaliadas por volta dos 68 anos. A equipa espera compreender melhor como estilo de vida, profissão, alimentação, doenças prévias e mecanismos biológicos se influenciam mutuamente.

Para a prática no sistema de saúde, as implicações podem ser grandes: se ficar claro que quebras precoces de aptidão física se traduzem mais tarde em mais cirurgias, reabilitação e necessidade de cuidados, os programas de promoção da actividade física ganharão peso. Empresas, seguradoras e autarquias poderão investir de forma mais direccionada em ofertas desportivas.

Para cada pessoa, a ideia central é esta: a idade é menos uma cifra rígida e mais uma questão de reservas. Quem usa os músculos, desafia o coração e mantém as articulações em movimento empurra os limites do que o corpo consegue fazer - muito para lá do pico estatístico aos 35.


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