Na praia, parece uma aula inofensiva para seniores - mas, na prática, esta ginástica na água esconde um treino de resistência a sério, com efeito na silhueta.
Quando se pensa em desporto para emagrecer, a maioria das pessoas chega rapidamente à corrida, ao ginásio ou às aulas de HIIT. Já junto ao mar ou a um lago, vêem-se grupos de fato de neoprene e touca a caminhar dentro de água, num ritmo que, à primeira vista, parece calmo. Só que este movimento, tantas vezes alvo de gozo, pode trazer benefícios surpreendentes para o peso, a massa muscular e até para a celulite, segundo especialistas.
O que está realmente por trás do aquawalking
A modalidade aparece com diferentes designações, como caminhada costeira, aquawalking ou marcha no mar. A ideia-base, porém, mantém-se: caminhar com intensidade no mar, num lago ou num grande lago balnear, com a água a chegar sensivelmente entre o umbigo e a zona das axilas. Em muitos casos, o grupo avança contra pequenas ondas e, por vezes, usa paddles ou luvas para aumentar a resistência da água.
Graças à flutuabilidade, o corpo suporta apenas uma parte do seu peso. Isto dá descanso aos joelhos, às ancas e às costas, reduzindo a carga de impacto que costuma causar problemas na corrida. Ao mesmo tempo, os músculos têm de trabalhar contra a resistência da água - que é claramente superior à resistência do ar em terra.
"O aquawalking combina o alívio das articulações com um treino intenso de músculos e resistência - uma mistura que muita gente só percebe quando chegam as dores musculares."
Não admira que muitos programas sejam orientados para pessoas mais velhas: a carga articular mantém-se baixa. Daí também a fama de “desporto de reformados”. Ainda assim, quem já fez 45 minutos a marchar depressa com água pela anca percebe depressa que isto está longe de ser um passeio tranquilo à beira-mar.
Quantas calorias se queimam a caminhar dentro de água
Escolas especializadas de natação e desportos aquáticos indicam que, num aquawalking rápido, uma pessoa com cerca de 70 quilogramas pode gastar entre 500 e 550 quilocalorias por hora. O valor exacto varia com o ritmo, a profundidade da água, a presença de ondas, o peso corporal e a condição física.
O ponto-chave é a chamada zona de resistência do sistema cardiovascular, geralmente situada entre 60 a 70 por cento da frequência cardíaca máxima. É nesta faixa que o organismo tende a recorrer mais às reservas de gordura como fonte de energia.
- Ritmo moderado: frequência cardíaca ligeiramente elevada, dá para falar sem esforço - queima sobretudo hidratos de carbono.
- Zona de resistência: respiração mais acelerada, ainda se consegue falar, mas já não dá para conversar à vontade - ideal para a queima de gordura.
- Ritmo muito elevado: falta de ar, falar torna-se difícil - queima bem mais hidratos de carbono.
Dentro de água, esta zona de resistência ao caminhar corresponde, de forma aproximada, a uma velocidade de cerca de 5 a 8 km/h. Parece pouco no papel, mas com corrente contrária e água mais alta, o esforço aumenta de forma notória.
A recomendação habitual dos treinadores é começar com 10 a 15 minutos de aquecimento - por exemplo, a andar depressa na areia ou em água mais baixa. Depois, manter 45 minutos o mais estável possível dentro da zona de resistência. A partir desta duração, o corpo tende a recorrer com mais intensidade às reservas de gordura.
Porque é que a celulite reage ao treino na água
Um dos grandes trunfos do aquawalking é o impacto no tecido conjuntivo e no aspecto da pele. O movimento da água funciona como uma massagem contínua nas pernas e nos glúteos. Em paralelo, a temperatura mais fria da água estimula a circulação e “treina” os vasos sanguíneos.
"A combinação de massagem, frio e trabalho muscular reforça o tecido conjuntivo - e, com o tempo, as covinhas da celulite tendem a ficar menos evidentes."
A celulite surge quando pequenos depósitos de gordura pressionam para fora através de um tecido conjuntivo mais frágil. Não é uma urgência médica, mas incomoda muitas pessoas. No aquawalking, há três mecanismos que ajudam a contrariar esse efeito:
- Melhoria da circulação: os vasos dilatam e contraem repetidamente devido às diferenças de temperatura e ao movimento.
- Pressão suave da água: a pressão hidrostática actua como uma compressão natural e pode reduzir retenção de líquidos.
- Reforço muscular direccionado: músculos mais fortes nas coxas e nos glúteos ajudam a “segurar” a forma a partir de dentro.
Muitas participantes referem, após algumas semanas, pernas menos pesadas, uma sensação de pele mais firme e uma silhueta mais definida - mesmo quando o número na balança quase não muda. Ou seja, o corpo pode ganhar forma sem ser obrigatório perder muitos quilos.
Quem beneficia mais deste desporto aquático?
O aquawalking adapta-se a um público surpreendentemente amplo - desde iniciantes até pessoas mais treinadas que procuram um complemento.
| Grupo | Vantagens |
|---|---|
| Iniciantes no desporto | Baixo risco de lesão, fácil de aprender, sem movimentos complexos. |
| Pessoas com problemas articulares | Quase sem impacto, poupa joelhos e ancas. |
| Pessoas com excesso de peso | A flutuabilidade alivia o corpo, facilitando a entrada no treino de resistência. |
| Corredores e fãs de fitness | Excelente complemento, ideal para recuperação e para aumentar o gasto calórico. |
| Pessoas mais velhas | Treino cardiovascular com baixo risco de queda, reforça equilíbrio e músculos. |
Há ainda um benefício extra: normalmente treina-se em grupo e, muitas vezes, com treinador ou guia. Isso aumenta a motivação, cria compromisso e ajuda quem se sente inseguro em ambiente menos familiar.
Como começar - passo a passo
Quem quer experimentar não deve simplesmente entrar sozinho em águas desconhecidas. O mais sensato é procurar um curso com acompanhamento, seja em zonas costeiras de férias, seja em grandes lagos interiores.
O equipamento certo
- Fato de neoprene ou shorty de neoprene, consoante a temperatura da água
- Calçado antiderrapante para cascalho, pedras e conchas
- Touca de natação bem ajustada ou gorro, especialmente com vento
- Opcionalmente, luvas ou paddles para aumentar a resistência
Em águas abertas, a segurança e o estado do tempo devem estar sempre sob controlo: correntes, ondulação forte, risco de hipotermia e mudanças súbitas do tempo podem tornar-se perigosos. Por isso, muitos organizadores usam percursos bem assinalados e horários definidos ao minuto.
Frequência de treino e ritmo
Para começar a notar mudanças na forma do corpo e no bem-estar, costuma bastar fazer uma a duas sessões por semana. Nas primeiras experiências, 20 a 30 minutos na água podem ser suficientes para o corpo se adaptar ao novo tipo de esforço.
Com o tempo, a duração pode subir para 45 a 60 minutos. E, se existir também alguma atenção a uma alimentação razoavelmente equilibrada, torna-se mais fácil criar um défice calórico sólido sem levar o corpo ao limite.
Como combinar o aquawalking com outras modalidades
Este desporto aquático não tem de substituir a corrida, a bicicleta ou o treino de força. Para muita gente, funciona melhor como complemento - por exemplo, nos dias em que as articulações estão mais cansadas ou quando o tempo torna menos apetecível correr em terra.
Um exemplo possível de semana:
- Segunda-feira: 30 minutos de corrida leve
- Quarta-feira: 45 minutos de aquawalking na zona de resistência
- Sexta-feira: exercícios de reforço para o core e costas em casa
- Domingo: 60 minutos de caminhada ou passeio de bicicleta suave
Com esta combinação, músculos, sistema cardiovascular e tecido conjuntivo são trabalhados de forma equilibrada, sem sobrecarregar uma única área.
O que os iniciantes devem saber antes da primeira aula
Há dúvidas que aparecem vezes sem conta: é permitido participar com problemas cardíacos? É preciso saber nadar bem? Qual é a temperatura mínima aceitável? A orientação geral é simples: quem tem doenças pré-existentes deve confirmar com o médico de família se pode iniciar a actividade. Ainda assim, muitas clínicas de reabilitação e ortopedistas consideram estes desportos na água uma opção sensata.
Saber nadar é uma vantagem clara, porque aumenta a sensação de segurança. No entanto, muitas aulas decorrem em zonas pouco profundas, onde é fácil manter-se de pé. Os treinadores costumam informar previamente sobre o trajecto, a temperatura da água e a duração. Quem tem tendência a sentir frio deve começar na época mais quente e evitar iniciar logo em dias de vento forte.
É curioso: muitas pessoas que nunca ganharam gosto pelo cardio tradicional acabam por manter-se no caminhar dentro de água durante mais tempo do que esperavam. A mistura de contacto com a natureza, espírito de grupo e a boa sensação física no final é, para muitos, mais motivadora do que olhar para uma parede enquanto correm numa passadeira no ginásio.
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