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Guia de exercícios de pescoço inspirados na Fórmula 1 para aliviar o “pescoço de computador”

Jovem a jogar simulador de corridas de carros num computador, com capacete de corridas na mesa ao lado.

Manter os olhos na estrada é crucial quando um carro segue a cerca de 322 km/h - e um pescoço forte faz diferença.

No ritmo intenso da Fórmula 1, os exercícios para reforço do pescoço fazem parte do treino de base. Muitos pilotos levam equipamento específico para esse fim para as corridas do Grande Prémio, num campeonato anual que passa por vários países.

Treinar com arneses com peso ou recorrer a alongamentos profundos com o próprio peso ajuda a estabilizar a cabeça e a manter a concentração nas curvas rápidas, enquanto forças que podem chegar a cinco vezes a gravidade empurram o corpo de um lado para o outro.

Mesmo que os adultos com “pescoço tecnológico” não enfrentem condições tão extremas, as técnicas usadas por pilotos profissionais chamam a atenção para um grupo muscular que muitas vezes é ignorado.

Porque é que os pilotos de Fórmula 1 treinam tanto o pescoço

O tempo em que pilotos de F1 fumavam e bebiam antes de um Grande Prémio já lá vai. Mesmo nos anos 1990, a preparação física foi determinante para o sucesso de Michael Schumacher; o campeão alemão por sete vezes dava prioridade ao treino cardiovascular e à força.

A razão é simples: o cansaço leva a erros.

Princípios de segurança e progressão no treino do pescoço

Dar mais atenção à postura quando se usam ecrãs e incluir exercícios específicos para o pescoço na rotina de treino são mudanças pequenas que podem aliviar o desconforto, de acordo com o Dr. Neeru Jayanthi, especialista em medicina desportiva em Atlanta que trabalha com atletas de várias idades e modalidades.

“Uma pessoa comum precisa de ter um pescoço como o de um piloto de F1? Provavelmente não”, disse Antti Kontsas, preparador físico experiente que trabalhou com o tetracampeão Sebastian Vettel e outras figuras da modalidade.

Ainda assim, “as bases saudáveis são as mesmas para a pessoa comum e para o piloto. O ponto de partida é exatamente o mesmo”, afirmou Kontsas à AP.

Como em qualquer atividade física, o treino do pescoço deve ser feito com segurança e adaptado às necessidades e limitações de cada pessoa.

Em caso de dúvida, procure orientação de um médico ou de outro profissional de saúde, sobretudo se já teve lesões no pescoço ou se não sabe ao certo o que está a provocar a dor.

Quando conhece os seus limites, “a questão é perceber a carga e aumentar a exposição de forma gradual. É assim que se progride em segurança”, diz Kontsas.

Exercícios simples (com e sem material) para fortalecer o pescoço

Um elemento central nos programas de treino de Kontsas é não deixar o pescoço - também chamado coluna cervical - de fora quando se trabalha costas e zona média.

Alguns exercícios com o peso do corpo podem ajudar, como manter a cabeça alinhada com os ombros numa prancha lateral. Outro exercício simples pode ser feito deitado.

“A coisa mais simples é deitar-se de costas num banco, com a cabeça fora da borda, e depois manter a cabeça numa linha completamente horizontal”, disse Kontsas.

“Está a manter a cabeça imóvel e a ver quanto tempo consegue aguentar. É uma boa forma de treinar, em particular, a musculatura da parte da frente.”

Para aumentar a dificuldade, os pilotos costumam usar uma banda de resistência ou um arnês com peso que se fixa em volta da cabeça para trabalhar os músculos do pescoço.

Postura no ecrã e estratégias para o “pescoço de computador”

Para quem passa muitas horas à secretária, melhorar a saúde do pescoço pode começar com um lembrete simples: estar atento à postura e fazer alongamentos fáceis, como recolher o queixo para trás para compensar a tendência de avançar a cabeça em direção ao ecrã.

O “pescoço de computador”, um problema moderno que provoca dores no pescoço, ombros e costas, surge quando “a cabeça fica em diferentes posições fora do alinhamento da coluna” durante o trabalho, explica Jayanthi.

“Fica à frente do computador durante duas, três, quatro horas, e nem se apercebe de que a cabeça esteve na posição errada esse tempo todo”, disse.

“Por isso, podemos voltar a posicionar o pescoço e, de facto, fazer recolhimentos do queixo e isométricos para empurrar a cabeça para a posição correta sobre a coluna. Basta lembrar-se a cada 30 a 60 minutos.”

Treinar para reduzir a dor do “pescoço de computador” não tem de consumir muito tempo. Segundo Kontsas, até os pilotos de F1 podem fazer apenas 10 a 15 minutos de exercícios de pescoço por sessão, duas ou três vezes por semana.

Outros benefícios: concussões e prevenção de lesões

Segundo Jayanthi, há indícios de que um pescoço e um tronco fortes podem ajudar noutros problemas mais sérios.

Por exemplo, o treino do pescoço é “uma das opções mais acessíveis e menos dispendiosas” para a recuperação e prevenção de concussões, disse.

Do mesmo modo, acrescentou Jayanthi, a força da coluna pode ser um indicador de prevenção ou redução do risco de lesões em jogadores de ténis.

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