No quarto de banho, muita coisa acontece em piloto automático: abre-se a água, aplica-se o gel de duche, passa-se rapidamente e está feito. Ainda assim, há um pormenor que volta e meia gera discussão: será que lavar o corpo apenas com a mão deixa a pele suficientemente limpa ou é mesmo preciso um pano de lavagem? Um médico francês de urgência, Dr. Gérald Kierzek, pronunciou-se exactamente sobre este tema. A sua avaliação surpreende e, pelo caminho, desmonta alguns mitos frequentes sobre higiene.
Porque é que a mão no duche é, muitas vezes, a melhor opção
Segundo o Dr. Kierzek, para a higiene diária do corpo, na maioria das situações, a mão limpa é perfeitamente suficiente. Se, antes de entrar no duche, lavar rapidamente as mãos com sabão, cria logo uma base adequada. Depois, o gel de duche ou o sabão pode ser aplicado directamente na pele com os dedos.
"A mão limpa permite contacto directo com a pele e com o sabão - e isso chega para remover suor, sujidade e os microrganismos habituais do dia-a-dia."
Na prática, a limpeza resulta de três factores: água, substâncias tensioactivas (os agentes de lavagem) e fricção mecânica. Por isso, não é obrigatório acrescentar um têxtil para que funcione. O essencial é esfregar de facto o corpo - e não apenas ensaboar por instantes e enxaguar imediatamente.
Como orientação, o médico aponta para cerca de um a dois minutos de fricção bem feita. E as zonas que mais merecem atenção são as clássicas “áreas problemáticas”:
- Axilas
- Virilhas
- Pés e espaços entre os dedos
- Prega interglútea
- Dobras cutâneas em casos de excesso de peso mais acentuado
Quem ensaboar cuidadosamente estas zonas com a mão e enxaguar bem, atinge, em geral, uma higiene diária muito boa. Há ainda um benefício extra: ficam menos têxteis húmidos no duche, que podem servir de abrigo a microrganismos.
O pano de lavagem como “esponja” de bactérias
Para muitas pessoas, parece óbvio que o pano de lavagem é mais higiénico. É precisamente aqui que entra a crítica do Dr. Kierzek. O problema não é o objecto em si, mas o que acontece com ele depois do duche.
Panos húmidos e mal secos tornam-se um terreno ideal para a proliferação de microrganismos. No ar quente e húmido de uma casa de banho, bactérias, leveduras como a Candida e até bolor multiplicam-se com facilidade nos tecidos. Quando o pano é reutilizado, esses agentes acabam por ser espalhados directamente sobre a pele.
"Um pano de lavagem que fica constantemente húmido e é apenas passado por água pode deixar de ajudar na limpeza e passar a transportar micróbios."
Em particular, quem tem pele sensível, tendência para infecções fúngicas nas dobras cutâneas, ou pequenas lesões, deixa de beneficiar e aumenta o risco de irritação, vermelhidão ou comichão. Cheiros desagradáveis também podem ser um sinal de que já passou da hora de o trocar.
Com que frequência se deve, de facto, trocar o pano de lavagem
Se optar por usar pano de lavagem, o médico recomenda que se cumpram algumas regras. No cenário ideal, seria utilizado apenas uma vez - ou muito poucas vezes - antes de ser lavado a fundo.
Como enquadramento geral:
- Trocar aproximadamente a cada dois a três dias, quando há utilização diária.
- Enxaguar muito bem com água limpa após cada uso.
- Torcer com força, para ficar o mínimo de humidade no tecido.
- Pendurar num local seco e bem ventilado, sem o deixar amarfanhado ou pousado no rebordo.
Se o pano apresentar manchas, perder a cor de forma estranha ou cheirar a mofo, deve ir directamente para a lavagem - ou, se já estiver degradado, para o lixo. Passá-lo rapidamente por água no duche não é suficiente para reduzir microrganismos de forma fiável.
Quando o pano de lavagem pode, ainda assim, fazer sentido
Apesar das reservas: não é preciso banir completamente o pano de lavagem da casa de banho. O médico reconhece situações em que um pano ou uma luva específica pode trazer vantagens.
Uso pontual em vez de uso permanente
O pano de lavagem pode ser útil, por exemplo, nestes casos:
- em pele muito seca ou com descamação, quando se pretende uma esfoliação suave
- para pessoas idosas ou com limitações, que têm dificuldade em alcançar determinadas zonas do corpo
- para uma exfoliação ocasional e cuidadosa, por exemplo em cotovelos ou calcanhares
- quando se pretende uma limpeza mais minuciosa dos pés
São preferíveis materiais de secagem rápida, como microfibras, que não permanecem húmidos durante tanto tempo. Também aqui a regra mantém-se: enxaguar bem, deixar secar completamente e lavar regularmente a alta temperatura.
"Um compromisso prático: usar a mão na maior parte do corpo - e, para zonas específicas, recorrer a um pano de lavagem fresco, limpo ou até de utilização única."
Que gel de duche é realmente adequado
Para não comprometer a barreira cutânea, o médico aconselha produtos suaves. Um gel de duche delicado ou um sabão com pH neutro é suficiente. Produtos agressivos e muito perfumados podem ressecar e irritar a pele, sobretudo quando usados com frequência.
Para muitas pessoas, basta lavar o corpo uma vez por dia. Quem transpira muito, pratica desporto ou trabalha em profissões “sujas” acabará, naturalmente, por tomar duche mais vezes - e, nesses casos, é ainda mais importante que os produtos sejam suaves. A sensação de limpeza vem da fricção com a mão, não da quantidade de espuma.
Quanto tempo e quão quente deve ser o duche?
Uma rotina de duche “ideal” não depende apenas da escolha entre mão e pano. A duração e a temperatura também contam:
- Tempo de duche: cinco a dez minutos costumam ser mais do que suficientes.
- Temperatura da água: morna protege a pele; água muito quente remove gordura em excesso.
- Fase de enxaguamento: retirar bem o gel de duche, sobretudo nas dobras cutâneas.
Quem sente a pele repuxada ou com comichão após o duche deve reduzir o tempo, baixar a temperatura ou mudar para um produto mais suave. Uma loção corporal simples e sem perfume pode ajudar a acalmar a pele.
Erros típicos na higiene do corpo - e como evitá-los
Há hábitos de casa de banho que se vão instalando ao longo dos anos, mesmo quando acabam por prejudicar a pele. Alguns exemplos:
| Hábito | Possível consequência | Melhor assim |
|---|---|---|
| Esfregar diariamente com esponja rígida ou peeling abrasivo | Irritação, microfissuras, pele seca | Esfoliar apenas de vez em quando; usar a mão em vez de escova |
| Usar o mesmo pano para rosto, zona íntima e pés | Transferência de microrganismos de uma zona para outra | Separar por áreas ou usar a mão na maior parte do corpo |
| Tomar duche várias vezes ao dia com água quente e gel de duche forte | Pele ressecada, barreira protectora alterada | Mais curto, morno e com produto suave |
O que significa, para a pele e a saúde, tomar duche com a mão vs. com pano
Do ponto de vista médico, uma pele saudável depende menos do “instrumento” e mais da rotina. Quem usa consistentemente a mão limpa, lava as zonas certas e enxagua bem, consegue um duche higiénico sem grande equipamento.
O pano de lavagem pode complementar, mas faz mais sentido como ferramenta para casos específicos do que como regra. Pessoas com dermatite atópica, acne, infecções fúngicas ou pele muito sensível tendem a beneficiar de fricção moderada e de materiais com o mínimo de microrganismos possível. Por vezes, basta deixar de usar um pano antigo e sempre húmido para a pele acalmar visivelmente.
Vale a pena rever a rotina com espírito crítico: há quanto tempo existem esses panos? Estão a secar como deve ser? Está mesmo a enxaguar tudo? Quem responder com honestidade e ajustar pequenos hábitos consegue melhorar bastante a higiene diária - sem precisar de comprar produtos novos.
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