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Estudo de 2021: cancro e contar bebidas ajudam a reduzir o álcool

Pessoa a segurar um copo com água e limão e a consultar aplicativo de saúde no telemóvel à mesa com vinho.

Cientistas identificaram uma forma eficaz de levar as pessoas a beber menos álcool, segundo indica uma investigação.

A ideia passa por chamar a atenção para o aumento do risco de cancro associado ao consumo de bebidas alcoólicas e, em simultâneo, incentivar uma estratégia simples: contar cada bebida ingerida. Em conjunto, esta mensagem sobre o motivo para reduzir e a forma prática de o fazer pode diminuir a ingestão de álcool.

O que mostrou o estudo de 2021

Num estudo publicado em 2021 e que envolveu quase 8.000 pessoas, os investigadores concluíram que esta combinação específica de comunicação - “porquê reduzir” e “como reduzir” - pode ser útil para promover melhor saúde na população.

Para chegar a estas conclusões, foram realizados três inquéritos ao longo de seis semanas. No primeiro participaram 7.995 pessoas; três semanas depois, 4.588 dessas pessoas responderam ao segundo; e, passadas mais três semanas, 2.687 completaram o inquérito final.

Os participantes foram distribuídos por diferentes grupos e expostos a vários anúncios e mensagens sobre o consumo de álcool.

A mensagem sobre cancro e contar bebidas que mais reduziu o álcool

Entre as diferentes abordagens, uma destacou-se face a um grupo de controlo: um anúncio de televisão que associava o álcool ao cancro, acompanhado da recomendação de manter a contagem das bebidas consumidas. Esta combinação foi das mais eficazes a levar as pessoas a tentar reduzir a ingestão de álcool.

Mais do que isso, foi também a única combinação em que os participantes diminuíram, de forma significativa, o consumo de álcool ao longo das seis semanas.

Outras estratégias - como incentivar as pessoas a fixar previamente um número de bebidas e a cumprir esse limite - levaram alguns voluntários a tentar cortar, mas, entre as opções testadas, houve um vencedor claro com base nas respostas de quem participou.

"Dizer às pessoas que o álcool provoca cancro é apenas parte da solução – também precisamos de lhes dar formas de agir para reduzirem o risco", explicou a economista e psicóloga do consumidor Simone Pettigrew, do Instituto George para a Saúde Global, na Austrália, quando os resultados foram divulgados.

"Muitas pessoas não sabem que o álcool é um carcinogénio. É uma informação importante a que quem bebe deveria ter acesso", afirmou Pettigrew.

"Verificámos que associar informação sobre álcool e cancro a uma ação prática específica – contar as bebidas – levou os consumidores a reduzirem a quantidade de álcool que ingeriam."

Porque é importante reduzir o consumo de álcool

Beber em excesso, naturalmente, não está apenas ligado ao cancro. Exagerar no álcool está associado a vários problemas, incluindo morte prematura, doença cardíaca, complicações digestivas e um risco mais elevado de demência.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o consumo de álcool pode estar associado a até 7 por cento das mortes prematuras em todo o mundo. Tornar quem bebe mais consciente dos riscos para a saúde é uma das formas de enfrentar este problema.

Entidades de saúde também têm analisado medidas para tornar as bebidas alcoólicas menos acessíveis e mais caras; ainda assim, no fim, serão as escolhas pessoais a determinar se o comportamento em torno do álcool se altera de forma sustentada a longo prazo.

Limites do estudo e impacto em campanhas

Neste trabalho específico, os participantes foram selecionados para serem "amplamente representativos, do ponto de vista demográfico, do público australiano que consome álcool".

Isto não significa que a abordagem funcione garantidamente noutros locais - mas sugere que contar as bebidas pode ser uma opção a experimentar para quem quer reduzir.

"Há recursos limitados disponíveis para campanhas de redução de danos associados ao álcool, por isso é importante perceber quais as mensagens que melhor ressoam, para garantir que têm a maior probabilidade de funcionar", disse Pettigrew.

A investigação foi publicada na revista Comportamentos Aditivos.

Uma versão anterior deste artigo foi publicada em junho de 2021.

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