A possibilidade de o alho desempenhar um papel relevante no envelhecimento saudável tem vindo a ganhar atenção. Para além do impacto associado à pele, há quem olhe para este alimento sobretudo pelo que pode significar para a força muscular - uma capacidade que tende a diminuir com o avançar da idade e que, quando baixa, pode transformar incidentes aparentemente simples (como uma queda) em situações com consequências sérias, incluindo a perda de autonomia motora.
Alho e a perda de força muscular com a idade
O problema não é apenas “envelhecer”: é a fragilidade que pode acompanhar esse processo. À medida que a força diminui, tarefas do dia a dia tornam-se mais exigentes e o risco de quedas passa a ter um peso maior na qualidade de vida. É neste contexto que o alho surge como um candidato interessante, não por prometer ganhos de massa muscular, mas por poder contribuir para manter a capacidade funcional durante mais tempo.
O composto S-1-propenil-L-cisteína (S1PC) e o sinal do tecido adiposo
Uma investigação conjunta da Universidade de Washington com instituições japonesas identificou um mecanismo potencialmente relevante num composto presente no extrato de alho envelhecido: a S-1-propenil-L-cisteína (S1PC). De acordo com o estudo, este composto consegue levar o tecido adiposo a enviar sinais ao cérebro, num processo que ajuda a preservar a força muscular.
A ideia central não é a de “criar músculo” com o consumo de alho. O que os autores destacam é a possibilidade de prolongar a manutenção da força ao longo dos anos, através desta cadeia de comunicação entre gordura corporal e cérebro.
Resultados em laboratório e o que foi observado em pessoas
Nos ensaios com ratos de laboratório idosos, a abordagem mostrou-se eficaz. Num período de oito meses, os investigadores administraram uma dose diária de S1PC. No final, registaram-se mudanças associadas a melhoria da força muscular - não porque tivesse havido aumento de massa, mas devido ao reforço da função e a uma menor fragilidade do organismo.
Num momento em que se multiplicam soluções "antiaging" assentes em medicação, este resultado destaca um composto natural como alternativa inesperada, tal como descrito no artigo publicado na revista científica "Cell Metabolism".
Depois dos dados em animais, a equipa avançou para uma análise em humanos. Participaram 44 adultos japoneses, com idades entre os 20 e os 49 anos, para avaliar o impacto. Segundo a análise, uma dose única de S1PC em pessoas fez aumentar no sangue os níveis da proteína eNAMPT, envolvida nesta sequência de respostas biológicas.
O efeito foi particularmente evidente em participantes com 40 anos ou mais e com níveis saudáveis de gordura corporal: verificou-se um aumento significativo de eNAMPT 120 minutos após a administração, proteína essa responsável por "levar a informação" ao cérebro. Em contraste, participantes com subpeso não apresentaram a mesma resposta, o que aponta para a necessidade de existir uma quantidade mínima de tecido adiposo para que o processo seja desencadeado.
O que a investigação pretende esclarecer a seguir
A investigação (disponível no original) pretende agora aprofundar estes achados, procurando perceber se existem diferenças marcadas entre homens e mulheres e se, em humanos, o impacto é tão claro quanto o que foi observado em laboratório.
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